“Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor… Bendito o reino que vem, o reino de Davi, nosso pai! Hosana nas maiores alturas!”.
Ao coroarem o ministério de Jesus aquele povo estava pensando: “Nosso Messias chegou… agora sairemos opressão… libertaremos nossa gente…. nosso povo prosperará…. não haverá mais perseguição, seremos livres…. todos nos respeitarão…”.
Num olhar superficial poderíamos imaginar que aquela gente, até então de coração endurecido, finalmente havia se rendido aos pés do Salvador.
Pano rápido. Viaje comigo no tempo, dois milênios depois, para uma comparação de imagens, onde veremos as mesmas cenas se repetindo: multidões reunidas, mãos levantadas, gritos de exaltação, promessas no ar, milagres ansiosamente aguardados….
Pronto, retornemos à poeirenta Jerusalém. Apenas uma semana após aquela calorosa recepção, o clima já não é de alegria, há um ambiente tenso, um dos seguidores de Jesus entrara em aliança com os soldados para levá-lo preso, e aquele Rei que haveria de governar agora está manietado diante das autoridades. Pilatos, governador da Judéia, tem intenção de soltá-lo, mas a multidão enfurecida grita a uma só voz: Crucifica-o! Crucifica-o!
Retornemos novamente ao nosso tempo. Alguns mais desatentos imaginam que vivemos uma época de avivamento. É estranho isso porque em todos os períodos de avivamento na História a primeira consequência era o retorno à Palavra. Hoje, qualquer observador sensato notará que há um total abandono das Escrituras.
Nos genuínos avivamentos as pregações eram embasadas nos grandes temas do Evangelho, como: santidade, comunhão, unidade, perdão, quebrantamento e obediência. Hoje, os temas das mensagens giram em torno de: cura, poder, vitória, lucro e prosperidade. Depois repete a sequência. No passado buscava-se a conversão da pessoa, hoje se busca sua adesão.
Em poucos dias aquela multidão trocou os “hosanas” pelo abandono de Jesus quando surgiu a cruz. Ninguém deseja a cruz…
Cruz é escândalo e loucura.
Cruz é inversão de valores, é tropeço.
Não queremos cruz, queremos benefícios!
A cruz nos leva a abandonar a autoconfiança, enquanto queremos a afirmação do nosso ser.
Buscamos os aplausos, os holofotes e a glória, não a cruz.
Crentes hoje não almejam mais habitar o céu, Alphaville é melhor.
Jesus dizia que se alguém quisesse ser um discípulo seu deveria tomar a cruz e segui-lo. Isso espanta as pessoas, e não é um bom marketing. É melhor dizer-lhes que “seus problemas acabaram”.
As mesmas pessoas que cantavam “Hosana ao Filho de Davi” bradavam agora “Crucifica-o!”. Em seu ministério terreno o próprio Jesus não se confiava a eles, porque ele sabia “o que era a natureza humana” (Jo 2.25).
O que isso nos ensina?
Primeiro: que não nos deixemos impressionar por demonstrações de triunfalismo e euforia. Se não houver uma conversão verdadeira para com Deus, tudo se desvanecerá quando os “dias maus” chegarem. E eles vão chegar.
Segundo: Multidão não deseja relacionamento ou comunhão, mas quer ver os seus desejos satisfeitos: “seguia-o numerosa multidão porque tinham visto os sinais que ele fazia” (Jo 6.2). Mas quando a situação começou a endurecer, muitos o abandonaram, ao ponto do Mestre dizer aos próprios discípulos: “vocês também querem ir embora?”.
A Bíblia diz que os últimos dias não chegarão “sem que primeiro venha a apostasia” (2Ts 2.3). Apostasia significa desvio, afastamento ou esfriamento em relação à fé. Daí entendemos quando Jesus pergunta: “Quando voltar o Filho do Homem, achará, porventura, fé na Terra?” (Lc 18.8). Com certeza, fé não, mas apostasia.
Quem viver, verá.
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